sexta-feira, 2 de março de 2012

O trabalhador rural



Hoje não é o dia do trabalho e muito menos do trabalhador rural.
Mas durante esta semana , em vista do calor excessivo que já inicia o dia incomodando, tenho iniciado minhas atividades físicas bem mais cedo.
E esse antecipar colocou-me frente a um novo elemento na paisagem. O que me levou a falar sobre essa classe de trabalhadores rurais tão importantes para o progresso do país, mas ao mesmo tempo desvalorizada e muitas vezes explorada.
Aqui na minha realidade desconheço essa prática, mas os noticiários denunciam constantemente o abuso de patrões que movidos por uma ambição desmedida colocam em primeiro lugar seus lucros e mantém seus trabalhadores sob péssimas condiçoes de trabalho.
Enquanto vou andando vou encontrando pequenos grupos aqui e ali, à espera do transporte que os conduzirá ao trabalho.
Pertencem à classe dos bóia frias, ou seja aqueles que não tem trabalho fixo. Sua jornada é incerta e varia conforme o ciclo das safras e necessidade de mão de obra.
 A falta de qualificação para o trabalho faz com que o trabalho braçal seja sua última opção. Uma melhor qualificação poderia colocá-los na condição de assalariados permanentes, um local de trabalho fixo, tratoristas e até, quem sabe, numa condição de arrendatários.
Analfabetos ou semi analfabetos, a última opção  para quem quer viver com dignidade ainda é o trabalho braçal. Mesmo morando na cidade, as oportunidades são poucas para essa classe de trabalhadores. O setor de construção civil, procurado por muitos, também acaba por ficar saturado.
Durante esses anos de luta do setor, uma das conquistas através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi a melhoria do transporte. De caminhão, transporte antigo e sem segurança, conseguiram a mudança para o transporte em ônibus sem super lotação. Conquistaram também a consolidação de 8 horas de trabalho com acrescimo de horas extras, dependendo de cada caso, evitando assim o abuso de patrões sem escrúpulos.
Mas no interior, pequenos proprietários ainda transportam seus trabalhadores empoleirados em carrocerias ou carretas sem bancos fixos e desprovidos de qualquer proteção.
Viajam expostos às intempéries climáticas como também a eventuais obstáculos que possam surgir durante o transporte, por exemplo,obrigando o motorista a uma freada brusca.
É a clandestinidade sempre presente em diversos setores trabalhistas.

4 comentários:

  1. Linda e bem pertinente tua crônica... Isso acontece mesmo! beijos,chica, lindo fds!

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  2. E o que mais dói, é saber que tem até uns políticos canalhas que fazem dos trabalhadores rurais meros escravos.

    Belo texto, Edite.

    Só um coração bondoso como o seu para lembrar dessas nobres pessoas em seu trabalho árduo com esse calor que tem feito...

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  3. Olá amiga Edite estou de volta (fiz uma cirurgia de hérnia).Excelente texto, repleto de verdades.Parbéns!!! Estava com saudade do seu blog!!! Passa no meu blog tem texto novo. Um abraço forte!!!

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  4. Prazer em "vê-lo" de novo Roberto. Estava sentindo falta de suas visitas. Seja muito bem vindo!

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