sábado, 16 de março de 2013

Livre...mas prisioneira

Hoje logo pela manhã veio-me à mente um texto redigido por mim há uns dois anos atrás.
Eu que imaginara jamais sentir-me na condição da protagonista mesmo sem correntes, hoje,a prisão é o meu ninho.
 Como?
 Na vida é assim. Há ocasiões em que mesmo tendo todo o universo à nossa volta, o céu por limite, nossa condição se assemelha como a de um prisioneiro.
 Muitas coisas nos prendem : sentimentos, raízes fincadas , medo do desconhecido, medo das consequências.
"Quem mexeu no meu queijo" de  Spencer Jhonson.... retrata bem esse medo, suas consequências  e como vencê-lo. Mas na teoria tudo fica fácil. Difícil é colocar em prática.

"Somos livres para fazer nossas escolhas, mas prisioneiros das consequências"
 ( Pablo Neruda)
 E assim como numa cela sem janelas e sem  portas nos sentimos tolhidos em nossos sentimentos e decisões.
Voar, voar, voar... me perder no azul do infinito...
 Sentir-me bem pequenininha nas alturas, mas ao mesmo tempo grande em coragem e espírito de aventura

 Vale a pena ler de novo um antigo momento  de inspiração.




Ela sonha com sua liberdade.
Esta liberdade de fazer exatamente tudo que tiver vontade.
Não como quer, mas como deve...
Ah, poder voar como pássaros nas alturas, apenas o céu como limite.
Alçar voo, conhecer outros quintais...
Ser livre como o rio que corre tranquilo, manso ou mesmo furioso.
Mas sempre independente. Traçando seu próprio percurso.
Poder decidir por si só, em tudo que a vida proporciona..
Abracar, rir, cantar, rodear-se de amigos.
Mas arroubos de coragem acontecem uma só vez na vida.
E uma oportunidade desprezada é fruto que não vingou.
É flecha atirada que não atingiu o alvo.
Uma oportunidade não bate duas vezes na mesma porta.
Ah, se ela pudesse voltar atrás..
Mas o medo a paralisou.
E uma vez lá fora a caminho da liberdade, sentiu-se perdida.
Como o pássaro no cativeiro,
Abre-se a porta da gaiola ...
E ele não sabe o que fazer com a imensidão do horizonte à sua frente.
Corre o risco de cair em mãos do predador.
Hoje tem consciência de sua prisão.
Mas insiste em se manter prisioneira.
Já não encontra forças  nem coragem para lançar-se novamente à aventura.
O medo ainda a paralisa.
Mas a liberdade de pensamento, ah, essa é inviolável.
Recolhida consigo mesma, pensamentos vão, pensamentos vem.
Angústias, ansiedades, desejos presos no íntimo querem lhe sufocar.
Escrever é um desabafo.
É a hora em que se sente mais livre.
Liberdade é condição inerente ao ser humano.
Mas precisa ser conquistada.
Aos fracos e submissos é sempre roubada.
E assim  a vida segue seu curso.
E ela caminhando sempre...
Livre...mas, prisioneira.

5 comentários:

  1. Que texto lindo, belo desabafo e sentir real. Há momentos ... Valeu ler, gostei muito! beijos,tudo de bom e quando quiseres, é só mandar um céu! beijos,chica

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  2. Tudo posso, mas nem tudo me convém.
    Paz

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    1. Muito bem lembrado. Gosto desse escrito de S. Paulo. Diz muito... diz tudo...

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  3. Que beleza de text, Edite!!!

    Apesar da tristeza que ele retrata, pois ser prisioneira de medos não é bom, é um belíssimo texto!!!

    E quem de nós pode dizer, com certeza, que nunca foi prisioneiro do próprio medo???

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  4. Ana, vc é tão perspicaz... consegue ler nas entrelinhas... abcs

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