terça-feira, 7 de maio de 2013

Vida pulsante...



Ontem ela voltou para casa. Estava ansiosa desde a véspera quando soube da alta hospitalar para o dia seguinte.
Foi difícil convencê-la da necessidade de dormir mais uma noite no hospital para os últimos procedimentos hospitalares, conforme oientação médica.
O sono foi intranquilo e ainda era madrugada quando já me indagava sobre aquele momento esperado.
Com sua idade avançada, muitas vezes se perde no tempo e no espaço como uma criança ainda sem a noção devida do caminhar das horas.
Ficar confinada num quarto que foge ao seu padrão diário, mesmo com os filhos a seu lado já condiciona uma rotina diferente daquela a que está habituada. O entrar constante do pessoal da enfermagem, a mudança de turnos trazendo sempre um rosto novo também acentua sua confusão mental.
Felizmente dessa vez conseguimos administrar bem esse outro lado manifesto de sua personalidade sem precisar “contê-la” no leito com grades e amarrações., o que gerou menos estresse tanto para nós acompanhantes , mas principalmente para ela.
Foram cinco dias de internação para estancar uma gastrite hemorrágica, mas que felizmente foi contida a tempo.
É claro que a perda de sangue e o longo jejum a que foi submetida a deixaram bem mais fraca.
Pensávamos até que não levantaria do leito tão cedo. No hospital não conseguia caminhar e até os procedimentos higiênicos eram feitos no leito.
Mas sua fé aliada à força de vontade que tem para viver está sempre nos surpreendendo.
E não podia ser diferente dessa vez.
Chegar em casa reavivou suas forças..
Ao pisar na soleira da porta seus olhinhos mesmo que embaçados pelo tempo ainda conseguiram transmitir um brilho de renovação e vida.
Foi como se alimentasse ao reconhecer cada cantinho e cada objeto seu.
Pensam que foi se deitar?Não! Pelo menos naquele momento era preciso aspirar aquele ar revigorante que emanava de cada cômodo de seu lar doce lar...
Ficou ali recebendo os vizinhos que acorreram para visitá-la e conforme a mente lhe permitia narrava o que havia passado.
Apoiada em sua bengala, companheira inseparável, claudicando e caminhando vagarosamente lá estava ela como que deixando para traz todo sofrimento e transtornos de dias anteriores...
Essa é minha mãe que prestes a fazer 96 anos ainda nos passa essa energia e vontade de viver tão clara e pulsante...
Feliz dia das mães, minha querida! 


Já que não podemos evitar um final repentino,evitemos a morte em suaves prestações, evitando reclamações, queixas da chuva excessiva ou do calor desconfortante, deixando de ser uma pessoa lamurienta. Lembre-se que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.”


9 comentários:

  1. Que estimulante este relato!Nessa idade e não reclama de nada, só coopera com o seu restabelecimento. Feliz dia das mães para ela e que esse evento se repita por muitos anos em sua vida, com lucidez.
    Abração.

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  2. Ah, Edite...

    Quão maravilhosas são tuas palavras!!!

    E mais maravilhosa ainda é a tua atitude!!!

    Que o teu amor e o de tua família, dê à tua mãe dias felizes!!!

    Admiro-te muito!!!

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  3. Aninha, como eu já disse muitas vezes" eu sempre tirando lições de vida com minha mãe"
    Bjs e obrigada pelo carinho!

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  4. E de fato, estar vivo é um esforço enorme... Uma grande beijo na sua mãe e pra vc também que é uma mãe sem igual!

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  5. Ah!, Edite, como não viver de bem com a vida se foi criada por uma mãe assim como a sua! -- Agora, como boa menina grande, termine aquele xale em tricô já começado... que ainda dá tempo de aquecer sua mãe nessa dobradinha outono-inverno 2013.
    Paz

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    1. ah, Paz já estou com remorso por tê-lo deixado de lado. Estou pensando em "adquirir " um já pronto ... Bem, aquele parece que não vai sair não...Tenho tantas outras ocupações e acabo me esquecendo do tal xale...

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  6. que linda sua estória e que força tem sua mãe!

    Parabéns para ela!

    Respondi sua pergunta em meu blog.

    Bjos!

    Eilan

    borderline-girl.blogspot.com

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  7. Obrigada Eilan. este é um assunto que muito me interessa.Bjs!

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