terça-feira, 17 de setembro de 2013

Chuva cadenciada



O vento do dia anterior bulindo com as folhas nas ruas e quintais, a vermelhidão de poeira ao longe já era o prenúncio da chuva explicita em redemoinhos e ar poeirento.

E na madrugada então fui despertada pelo ritmo cadenciado da chuva no telhado  embalando esperança e convidando ao aconchego do leito quente.  

Lá fora trovões ecoam ao longe e imagino o solo árido se abrindo  em recepção às águas que torná-lo-ão  preparado para receber a semente que em breve trará a farta colheita e deixará os pastos mais verdes facilitando a engorda do gado. Enfim, é prenúncio de fartura. Certeza de ar mais respirável.

Depois de um longo tempo de estiagem, a chuva cai como um prêmio da mãe natureza.

E o cadenciado da chuva continua. Quisera eu ficar mais um pouco embrulhada nos aconchegantes lençóis. Mas os compromissos me chamam.

Então me embrulho no acinzentado da manhã fria. E me escondo sob a neblina densa.

Passos apressados, guarda chuvas abertos. A paisagem mudou. Tudo parece melancólico. Há certa urgência em tudo que se faz.

A manhã cinzenta desfazendo-se em água que cai em forma de chuva da um quê de preguiça, provoca certa letargia. Põe na alma um sentimento de nostalgia.

Meu desejo é retornar rapidamente e desfrutar desse dia úmido e nostálgico no aconchego do lar.

Desejos incomuns, raros. Desejos destinados àqueles que aliam a nostalgia da alma à nostalgia do dia.
...então me embrulho no acinzentado da manhã fria e me escondo sob a neblina densa



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