quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Grandes Esperanças : resenha do filme

 


 Ouvindo comentários sobre o filme “Grandes Esperanças” de Charles Dickens fiquei curiosa em assisti-lo. Lembro-me de ter lido apenas um romance de Charles Dickens, na minha adolescência. Apenas o nome,as aventuras de “David Copperfield” ficou-me na memória como uma boa recordação de leitura.

Grandes Esperanças”, faz o gênero drama , baseado no livro do mesmo nome e que continua sendo um clássico de sucesso.
Sinceramente, gostaria de lê-lo , mesmo tendo assistido ao filme. Acontece que as emoções extravasadas nos livros dificilmente são percebidas quando a obra é transformada em filme. Alguns detalhes ficam confusos e outros imperceptíveis.
Pelo que li de opiniões de leitores , o autor consegue extrair cenas cômicas até de um momento de agressão infantil , violências ou sarcasmo de Pip, o que não acontece no filme que dá sempre uma impressão de suspense.

Pip, abreviatura de Phillip Pirrip, alcunha que ele mesmo escolheu pela dificuldade em pronunciar o próprio nome, é um órfão criado pela irmã mais velha Mrs Gargery e seu esposo Joe Gargery.
Phillip é dócil, calado e sempre amedrontado, temendo as reações truculentas e os gritos da irmã que o julgava um peso morto. Já Joe, era a figura paternal amiga e conselheira . Representava um oásis em meio toda aquela sequidão familiar.

Por um bom tempo do filme sinto Pip uma criança sem voz , sendo levado docilmente onde coubessem os interesses de sua irmã, que vendo nele um peso , com sua mente maquiavélica arquitetava uma maneira de colocá-lo sob a responsabilidade de algum benfeitor.
E assim o filme vai nos colocando diante de personalidades maniqueístas ,vingativas, interesseiras, maldosas, e ,submissas como Pip. Apenas , Joe, o ferreiro era um simples trabalhador que apenas queria Pip perto de si e ambicionava para ele também a humilde profissão de ferreiro , vivendo ali juntos naquela pequena aldeia fria, inóspita e pobre , mas aquecida de seu amor e simplicidade.

A trama transcorre com Pip se defrontando com diversas situações de medo, submissão, revolta e finalmente ambição em crescer culturalmente para conseguir o amor de Estela, jovem bela , mas fria e calculista , moldada sob a disciplina rígida e vingativa da Sra Havisham,
Movida por um desejo de vingança que acalenta há 20 anos , a Sra Havisham adota Estela para treiná-la a desencorajar os homens que por ela se apaixonassem . Estela sabe que é usada pela tutora  para se vingar do abandono do noivo no dia do casamento. Tudo pronto, a festa, o bolo, os convidados e o noivo apenas envia um bilhete de não comparecimento. E a Sra Havisham vive naquele castelo com seu bolo podre e vestida com seu vestido de casamento.

Pip também é convidado à casa para conhecer Estela e por ela se apaixonar e ser humilhado . Fruto de uma mente doentia.
E Pip é então, como um cordeirinho manso, introduzido no  castelo da Sra. Havisham pelas mãos de sua malvada irmã que teve grande influência na sua ida lá.
E a trama segue , com Pip agora , já mais crescido e tomado de paixão, deseja se igualar a Estela em cultura, conhecimento e cavalheirismo.

Uma herança deixada por um benfeitor desconhecido , que só é revelado no final do filme, possibilita a Pip  ir à   Inglaterra , para frequentar grandes salões de baile, conviver com a nata da sociedade, estudar e se tornar um cavalheiro.

Seguem-se cenas implacáveis e emocionantes, tais quais, o sentimento de aversão e desespero de Pip quando descobre que Joe vai visitá-lo em Londres, a vergonha que Pip sente quando ao voltar a sua cidade natal prefere ficar em um hotel do que na sua antiga casa, e a mais impactantes de todas, a clemência e o perdão que Joe tem para com o Pip mesmo após toda sua ingratidão

Também emocionante a reação de Pip ao descobrir que sua herança não vinha de uma fonte que julgasse honesta e digna, e ao descobri-la, pretende devolvê-la. 
Cara a cara com seu benfeitor , Pip então compreende uma série de acontecimentos passados e como um certo episódio de sua vida, onde em  criança fizera uma boa ação a um malfeitor, conduzira sua vida até ali.

Pode-se considerar um filme imperdível, embora tenha um começo de suspense, ficando morno em certa altura e tendo no desenrolar da trama um final surpreendente.
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Conhecer um pouco da biografia de Dickens é interessante para que se compreenda a época em que o enredo se desenvolve.
Em resumo , Dickens quer nos mostrar, baseado em sua própria experiência, os perigos de uma ascensão social demasiado rápida.


( No livro , o narrador é o próprio Pip, caracterizando o autor)




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Após a tempestade...

 


Não sei por quanto tempo eu ficara ali enrodilhada em meio às almofadas. A brisa fresca que penetrava pela janela ao mesmo tempo que tocava meu corpo agradavelmente, também me forçava a permanecer encolhida como um cãozinho semi adormecido.
Era agradável estar ali desfrutando daquele momento pós temporal.

Uma tempestade que já se pressentia desde os últimos dias de calor insuportável.
Lembro-me que minha mãe sempre dizia que muitos dias de calor assim intenso indicava que a "caldeira" a qualquer momento iria explodir . E foi o que aconteceu.
 O sol foi se retirando de mansinho , deixando apenas a sua lembrança num mormaço que parecia se intensificar a cada minuto. 
Nuvens escuras  foram se aproximando e ...de repente o rebuliço começou...Parecia que o mundo tinha virado de pernas pro ar. 

 De dentro de casa só se ouvia o barulho de objetos voando lá fora. Cadeiras, vasos , galhos arrancados e , meu Deus... até telhas da do beiral da casa.
Num piscar de olhos o som dos pingos da chuva mudou de frequência. Estava chovendo granizo.
Corri em busca do sal bento. Prática supersticiosa que herdei de minha mãe. O sal bento lançado aos 4 cantos do quintal " espalharia" a tempestade. Mas como sempre, é nestes momentos de urgência e forte ansiedade  que não se encontra nada. Também a palha benta, sabe aquela do "domingo de ramos" , a sua queima também  é uma forma de esparramar a tempestade. Mas não as encontrei .

É impressionante como nos tornamos pequenos e impotentes diante das forças da Natureza. O mesmo Deus que sentimos na brisa fresca, também se faz presente entre raios e trovões.
Bom, mas agora só mesmo invocando a misericórdia de Deus em oração silenciosa. E foi então que me encostei entre as almofadas do sofá  e com a tempestade  aos poucos se acalmando ,adormeci... 

 Ao abrir os olhos tudo já voltara ao  normal. 
Diante da calmaria agora estabelecida não pude deixar de exclamar baixinho:
"Quão grande és Tu, ó meu Senhor!"






sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Vida simples... gente simples




Manhã de sol. Céu azul, límpido. Sem nuvens. Raios de sol se infiltrando pela janela, acariciando as flores da bancada.
Uma manhã clara e convidativa. Sem o vento gelado dos dias anteriores castigando o rosto. Livre dos agasalhos. Caminhar agradável. Poucos transeuntes.
Quintais me mostram o colorido dos manacás, azaleias, hibiscos, primaveras.... . Os ipês exibem sua florada antecipada da primavera.
A padaria da esquina já está aberta há horas. Aliás, para os padeiros, o dia começa bem cedo. O posto de combustíveis também já se movimenta. Em frente, o sorveteiro se ocupa da limpeza da frente de seu comércio. Os pedreiros da construção na esquina também já iniciaram seu dia...
Observo que em algumas residências, uma mão laboriosa já passou por ali com sua vassoura  mágica, deixando a frente da casa impecavelmente limpa.. Em outras, o movimento já começa.... Calçadas  vão,sendo lavadas. Ah!... as donas de casa não perdem este hábito tão condenado... É preciso economizar água... Elas sabem dessa necessidade, mas a poeira de agosto é tanta, que acabam cometendo esse pequeno deslize...
Uma saudação para o leiteiro que passa... a enfermeira... a assistente social....a bibliotecária....a doméstica...
Algumas pessoas mais madrugadeiras que já retornam de sua caminhada diária.
O vai e vem provocado pelos estudantes e mães que levam seus filhos à creche dura pouco.
Uma breve pausa , e a cidade quase volta a dormir. Dentro em pouco uma nova leva de trabalhadores dará vida e colorido à cidade. É o comércio que se prepara para abrir suas portas. Bancários, funcionários de repartições públicas ocupam seus postos. Carros começam a se posicionar nos estacionamentos. E então a cidade estará totalmente desperta.
Na praça da matriz, o jardineiro já está a postos. Em tempos de longa estiagem como as de agosto, urge molhar os canteiros constantemente. E as azaleias agradecem, exuberantes em seu tom rosa maravilha. São tantas as cores e perfumes que exalam no ar... Canteiros bem cuidados mostram a destreza e capricho de mãos habilidosas.
Dentro em pouco a praça ganhará mais vida. Crianças que chegam acompanhadas de suas babás para desfrutar dessa manhã fresca e agradável. Mais adiante acabam de chegar crianças da creche acompanhadas de suas cuidadoras. E então o quadro fica completo.
É o despertar de uma cidade simples, de gente simples e vida simples. Uma cidade pequena e aparentemente tranquila.
Digo aparentemente, porque também tem seus labirintos. Difícil hoje em dia uma cidade absolutamente tranquila. As pequenas cidades do interior, infelizmente, também já estão sendo contaminadas pela violência e bandidagem, como nos grandes centros urbanos.
Mas, neste momento me passa a imagem da pureza e inocência há muito esquecida.
E é assim que quero vê-la. É assim que a vejo. É assim que a sinto.
A Igreja Matriz à minha frente, é um convite à oração, ao agradecimento. Mas está em obras. Olho ao meu redor e o cenário me lembra que o templo de Deus é o Universo. E que ELE está ali, no meio de nós. Onipresente.
Continuo meu caminho, sentindo sobre os ombros o calor do sol.
Olho para o alto e meu olhar se perde na imensidão azul. Os raios solares me cegam momentaneamente.
E então me curvo diante da magnitude do Criador.
Quão grande és Tu, meu Senhor!

Escrito por mim em 2/9/2010

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Também este texto é uma recuperação de arquivo. Data de 2/9/2010  e recuperei-o de um blog antigo. Como  há sempre novos leitores , transcrevo-o aqui. Ele retrata uma bela manhã de agosto três anos atrás quando ainda apenas se ouvia falar em escassez de água. Hoje infelizmente o racionamento desse bem precioso se estende a cada dia mais a outras cidades. E acabou chegando aqui. Já não temos na praça azaleias tão belas, lírios murcharam em pouco tempo e um lindo canteiro de "crista de galo" que mais parecia um mar vermelho, faz pena olhar. E apesar da orientação em não se lavar calçadas e carros, parece difícil ficar livre desse hábito tão arraigado. 

AS PESSOAS PRECISAM AGIR COM BOM SENSO E FAZER USO CONSCIENTE DESSE BEM TÃO PRECIOSO!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Conheça Seu Sebastião, gente que faz!




Tem gente que faz mesmo a diferença. Tem gente que já deve nascer com uma proposta de vida definida por Deus. Um compromisso doce de passar adiante o seu desejo de acreditar em um mundo melhor. Algo como um manual debaixo dos braços para não esquecer nenhum lembrete divino” (Geisa Araújo, cronista)

Sempre que vou falar de algo que me encantou pela nobreza do gesto, pela capacidade de se doar em prol do próximo, independente de suas necessidades e condição financeira , eu uso o enunciado acima.
São palavras que definem pessoas com um olhar mais aguçado à sua volta, digamos, um olhar dotado de sensibilidade e desejo de transformação.
Vontade de transformar , todos temos. Quem não gostaria de um mundo com menos injustiças, exclusões . Mais compassivo e menos individualista e sem imediatismos.
Sim, porque o resultado dessas pequenas ações não se vê da noite para o dia. É um trabalho de formiguinha, trilhado passo a passo com muita coragem , determinação , desapego e convicção do que se pretende.
Assim é Seu Sebastião, um senhor com mais de 60 anos que há mais de vinte anos trabalha como catador de lixo nas ruas de Olinda, Pernambuco.
É órfão desde os 4 anos de idade, casou-se no nordeste e hoje tem sete filhos, todos bem criados e encaminhados na vida. É um exemplo para a família. Tudo com o trabalho de Seu Sebastião que ganha 20 centavos por cada quilo de plástico reciclável. Até aí, nada de anormal. Apenas um homem simples e honesto que apesar das dificuldades conseguiu educar os filhos longe da bandidagem.
Mas seu Sebastião não fica só nisso não. Enxerga longe , sensibiliza-se com a necessidade do próximo e faz sua parte como “empreendedor social”. Ajuda sua comunidade como pode, nos transportes a doentes, medicamentos, funeral,alimentos e até cadeira de rodas disse que já conseguiu.
Para fechar com chave de ouro, a iniciativa de Seu Sebastião foi mais longe. Conseguiu um barracão , onde acolhe 70 crianças de 2 a 6 anos de idade, onde 3 professoras ministram os princípios básicos da alfabetização. Funciona também ali grupos de capoeira e de judô., contando apenas com a contribuição de 20 reais de cada aluno para ajudar nas despesas.
São de Seu Sebastião , catador de lixo, semianalfabeto estas palavras:
"Estou ensinando o que não aprendi, colocando em um caminho que Deus ajude e eles sejam bem iluminados na frente"
Com os 25mil reais que ganhou no quadro “Agora ou Nunca” do Caldeirão do Huck, Seu Sebastião vai reformar a escola comunitária “Nova Esperança”criada por ele, que a mantém há 20 anos , contando apenas com a “mensalidade” dos alunos e ajuda da comunidade revertida em lixo reciclável para aumentar sua renda.
Seu Sebastião é gente que faz!!!
Este é Seu Sebastião, sorriso franco e aberto , demonstrando a humildade e sabedoria  daqueles que se deixaram "capacitar" por Deus.
Poderá conferir a história de Seu Sebastião no link abaixo, inclusive com o vídeo da gravação do programa


"Pequenas ações transformam vidas, reconstroem caminhos, fortalecem relações, fazem brotar a esperança...."