sábado, 3 de novembro de 2018

Encontros e desencontros : Uma dor pungente

CORAÇÃO SOFRIDO



Hoje eu preciso escrever e falar da dor que vai aqui dentro do meu peito . Uma dor que há anos me machuca, mas que eu procuro disfarçar protegendo-me como posso , ultimamente fazendo-me ausente da presença de minha filha . Era tanto o sofrimento por  ela a mim impingido , que carcomida por dentro , ralada e esfolada por fora resolvi dar um basta . Se antes eu procurava entendê-la , oferecia-lhe minha amizade e afeto de mãe , procurava fazer-me presente, mais eu entendia que minha presença a irritava . Pior ainda , a fazia ficar colérica e agressiva contra minha pessoa . 

Muitas aproximações tentei . Em nenhuma fui aceita . Enquanto eu procurava entendê-la e fazer-me compreender , mais nos distanciávamos , Tivemos contendas e discussões inimagináveis entre mãe e filha .
Quando um relacionamento entre mãe e filha vai se tornando difícil , esbarramos em limites
intransponíveis . Sentimos que a ruptura é inevitável .

Procurei ajuda de psicólogos e psicoterapeutas na tentativa de buscar uma solução para nosso relacionamento . E tudo que ouvi diante do que foi relatado é que ela talvez possa ter TPB : transtorno de personalidade “borderline”,  e o foco de sua ira é descarregado em mim. Ela , segundo esses terapeutas é quem precisa de uma terapia para resolver seu relacionamento comigo .

Tive minha filha aos 30 anos , já madura . Foi uma gravidez dentro da normalidade , eu optei pela segunda gravidez após 6 anos e meio , idade que tinha meu filho mais velho na época de seu nascimento . Foi um bebê esperado e muito amado . Quando soube que era uma menina fiquei feliz , imaginei nossa amizade , nossas confidências e segredos ao pé do ouvido . Nosso companheirismo... Pensei em sermos mais que mãe e filha …

Desde pequena teve personalidade forte , ao mesmo tempo em que demonstrava insegurança e timidez diante de outros . Uma infância entre pequenos conflitos familiares , coisa que tantas outras crianças também passam e sabem conviver bem com eles ., assim como meu outro filho que é excelente, muito afetivo e preocupado comigo .

Chegou a pré adolescência e eu até hoje espero que ela saia da crise adolescente . Não houve crescimento interior , não houve maturidade . Hoje ela , mãe de duas crianças de 5 e 7 anos continua uma ameaça à minha paz e tranquilidade.

Agora ela é uma mulher madura . Lutei anos para conquistar sua confiança e amizade , para ficarmos juntas , mas houve um momento em que precisei dizer “BASTA”!

Sempre houve momentos difíceis , mas procurei superá-los todos . Rendendo-me aos seus caprichos , às suas falsas verdades e interpretações dos fatos .
Depois de tantas tentativas frustradas, muitas lágrimas e agressões , percebi que o melhor seria a gente se afastar . Aliás, afastar mais o quê , a separação já estava praticamente selada . Só faltava eu me conscientizar dela .

Há uns três anos ela vem à minha casa , mas não fala comigo . Só vejo as crianças quando ela os traz aqui. Não deixa que eu fale com eles por telefone e nem por vídeo . Hoje mesmo ela se negou a deixar-me vê-los . Maria Eduarda , sofreu uma pequena queda na escola e fraturou a clavícula . Queria vê-la , demonstrar-lhe meu afeto de avó . Conversar com ela , com o Lucas . Ouvir suas vozes e ver seus rostinhos sorridentes . Mas , nem isso me é dado o prazer . Minha presença de avó está vetada.

Não consigo compreender tamanha dureza de coração . Não consigo imaginar em que momento da vida a feri tanto assim a ponto de gerar esse excesso de desprezo e ódio contra minha pessoa .
Em que esquina nos perdemos .Em que rua vamos nos encontrar,  se é que um dia isso seja possível . Coração de mãe é sempre generoso ,mesmo dolorido .E já disse várias vezes que no dia em que ela resolver me acolher de coração , eu estarei aqui como sempre estive , apenas me afastei para evitar maiores sofrimentos .

Somos duas mulheres , vítimas das circunstâncias da vida . Duas mulheres que não se entendem , apesar das frustradas tentativas . 
Culpados ? Quem somos nós para apontar o dedo uma à outra . Tudo virou uma bola de neve. Razões que o coração desconhece  . O que precisamos é saber contornar as possíveis mágoas e colocar o amor materno e filial à frente de tudo . Eu fico à espera de que esse dia aconteça , antes mesmo que eu dessa terra me despeça .

Lamento que nossa relação tenha chegado a esse ponto , mas não posso impor minha presença , muito menos obrigá-la a me amar ou me aceitar como mãe .



Este é o salmo que mais tenho repetido todos os dias 


8 comentários:

  1. Que triste situação,Edite! E, como mae? Te entendo muito bem!Um dia , na certa, ela se dará conta do que perdeu por nao bem conviver contigo eainda mais, agora nao permitir esse convívio lindo com os netos que tanto bem faz!!
    Todas as familias tem problemas e por isso. Te

    entendo bem essa tua dor!

    Daqui torço desde ja que ela ACORDE e ainda tenham tempo de bem conviver! Bjs e fica bem! Chica

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  2. Voltei...nao encontrei teu email...
    Iria mandar email pra te dizer que agora que desabafaste, talvez tenhas aliviado teu coração...Por isso, vê se nao queres retirar o texto...Gico com.medo da exposição e que por ventura ela venha a te ler, as coisas pissam ficar ainda mais difícil!

    Mas isso é apenas uma sugestão e preocupação munha.

    Faz o que teu coração pedir e desculpa por te falar! Bjs e fica bem! Chica

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  3. Boa noite, querida amiga Edite!
    Em primeiro lugar, quero lhe dizer que fui às lágrimas de emoção...
    Depois, não sabe como tenho experiencia nisso para entendê-la...
    Cada família tem um problema e não podemos mesmo apontar dedo em riste de ninguém...
    Quero parabenizá-la por ter tido coragem de abrir seu coração aqui para que nós pudéssemos orar por você e por ela.
    Eu creio muito no poder da oração e a intercessão é o que podemos fazer como seguidores de Cristo Jesus.
    Obrigada, amiga, por ser sincera e nos possiblitar essa reflexão junto com você e recebe meu abraço de carinho e profunda empatia.
    Eu amo mais ainda você agora fraternalmente falando.
    Gostei de aprender sobre o tal Transtorno, muito obrigada por me ensinar isso.
    Tenha dias felizes de consciência reta!
    Deus a abençoe muito!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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    1. Amiga talvez a Chica tenha razão, ela é experiente e sabe das coisas... desculpe-me também de falar. Gosto muito de você, Bjm

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  4. Desculpe amigas , Roselia e Chica se as constrangi com meu desabafo . A proposta era essa mesma : desabafar . Fiquei muito mal depois da recusa dela de me deixar ver minha neta que fosse apenas pelo vídeo . Será que não pode imaginar a dor que me causa ? Não é mãe? Não tem sentimentos maternos . A intenção não foi me exporingenuamente não . Jà me calei por demais . E depois que resolvi me abrir , sinto-me mais aliviada . Não posso guardar essa dor comigo apenas . Desculpem-me , mas foi inevitável . Ainda me dói . Vou refletir mais um pouco e talvez venha a guardar meu desabafo em rascunho . Ou talvez não . Amo meus netos e eles sabem disso . Ainda não compreendem o que acontece . Só o tempo dirá como reagirão a tudo isso .

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    1. Amiga, não me constrangeu de forma alguma. Expressei tudo o que senti em meu comentário.
      O desabafo faz bem...
      Creio que por querer seu bem, na hora, reforcei o da Chica.
      Mas cada um sabe onde aperta seu calo, querida.
      Tenha dias felizes e abençoados!
      Bjm fraterno e carinhoso de paz e bem

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    2. Obrigada, Roselia ! Mas vc e a Chica tem razão . Vou seguir seu conselho , agora coração já mais calmo e retocado o band-aid. Gracie !Obrigada pela amizade e pelo carinho .

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  5. Imagino que seja bem doloroso!
    Vocês precisam sentar e conversar e se for preciso recomeçar numa nova relação de amor!!! Bj

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