quinta-feira, 1 de maio de 2014

O trabalhador rural

Neste dia do trabalho, revirando em meus arquivos encontrei um texto que fala sobre uma classe muitas vezes esquecida ou menosprezada. Os trabalhadores rurais que passam seus dias no campo expostos à intempéries, em condições de trabalho muitas vezes precárias. 
Ocorre que é dessas mãos calejadas que provem todo nosso sustento diário, pois como muitos não sabem, o arroz, o feijão, o leite, o óleo e muitos outros alimentos, precisam ser semeados, cultivados e depois colhidos, para que só então possam chegar até nossa mesa. 
 Lembrei-me de um texto que escrevi há tempos atrás, mas que continua atual.
 Certa manhã , fazendo minha caminhada matinal fui observando a quantidade de trabalhadores rurais que encontrava a cada esquina à espera de sua condução para a roça.
 E assim , nasceu o texto que republico, na íntegra como o escrevi na época. Não estranhem o começo do texto, pois essa "observação" foi feita num dia qualquer, mas que condiz com o momento de hoje.  

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 O trabalhador Rural
Hoje não é o dia do trabalho e muito menos do trabalhador rural.
Mas durante esta semana , em vista do calor excessivo que já inicia o dia incomodando, tenho iniciado minhas atividades físicas bem mais cedo.
E esse antecipar colocou -me frente a um novo elemento na paisagem. O que me levou a falar sobre essa classe de trabalhadores rurais tão importantes para o progresso do país, mas ao mesmo tempo desvalorizada e muitas vezes explorada.
Aqui na minha realidade desconheço essa prática, mas os noticiários denunciam constantemente o abuso de patrões que movidos por uma ambição desmedida colocam em primeiro lugar seus lucros e mantém seus trabalhadores sob péssimas condições de trabalho.
Enquanto vou andando vou encontrando pequenos grupos aqui e ali, à espera do transporte que os conduzirá ao trabalho.
Pertencem à classe dos boia frias, ou seja aqueles que não tem trabalho fixo. Sua jornada é incerta e varia conforme o ciclo das safras e necessidade de mão de obra.
A falta de qualificação para o trabalho faz com que o trabalho braçal seja sua última opção. Uma melhor qualificação poderia colocá-los na condição de assalariados permanentes, um local de trabalho fixo, tratoristas e até, quem sabe, numa condição de arrendatários.
Analfabetos ou semi analfabetos, a última opção  para quem quer viver com dignidade ainda é o trabalho braçal. Mesmo morando na cidade, as oportunidades são poucas para essa classe de trabalhadores. O setor de construção civil, procurado por muitos, também acaba por ficar saturado.
Durante esses anos de luta do setor, uma das conquistas através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, foi a melhoria do transporte. De caminhão, transporte antigo e sem segurança, conseguiram a mudança para o transporte em ônibus sem super lotação. Conquistaram também a consolidação de 8 horas de trabalho com acréscimo de horas extras, dependendo de cada caso, evitando assim o abuso de patrões sem escrúpulos.
Mas no interior, pequenos proprietários ainda transportam seus trabalhadores empoleirados em carrocerias ou carretas sem bancos fixos e desprovidos de qualquer proteção.
Viajam expostos às intempéries climáticas como também a eventuais obstáculos que possam surgir durante o transporte, por exemplo,obrigando o motorista a uma freada brusca.
É a clandestinidade sempre presente em diversos setores trabalhistas.

texto escrito em 02/03/12 18:37:27

 
"Que o trabalho de suas mãos se transforme em bênçãos a todos que receberem os alimentos que cultivas. Que jamais percas a fé na natureza e no Criador e saibas, que, se neste ano a colheita não foi tão produtiva, Deus te dará meios para que na próxima, certamente ela o será."



10 comentários:

  1. Esse assunto me toca e me comove... o trabalhador rural... pode levar-me às lágrimas... já cheguei a selecionar frutas para comprar e largar tudo lá pq fiquei comparando o preço que eu estaria pagando pelas frutas versus o mísero pagamento que o trabalhador rural recebeu pra colher a fruta... -- Indico o livro "As Vinhas da Ira", de John Steinbeck -- deu filme de mesmo nome, com Henry Ford... filme preto e branco bem fiel ao livro. Qdo o livro foi publicado, na década de 30 (sec. 20), o então presidente dos EUA ficou tão aterrado com o que leu, que reuniu um grupo de engenheiros agrônomos para viajaram até a região onde se deu a horrível seca que transformou em retirantes a milhares de pequenos sitiantes e trabalhores rurais. Os engenheiros agrônomos preparam um relatório confirmando tudo e mais ainda... Imediatamente foi criado nos EUA o que no Brasil foi copiado como A Casa da Lavoura. Bem, foi a partir dessa grande obra de John Steinbeck que os agricultores aprenderam a importância de mudar o tipo de plantação a cada tantos e qtos anos para prevenir que o solo perca seus nutrientes e se torne árido, resultado na seca. -- As últimas palavras de Tom, personagem principal do livro, ao se despedir da mãe, são palavras absolutamente seguindo a Cristo... livro imperdível... filme imperdível. -- Steinbeck trouxe para seu grande romance vários aspectos bíblicos, porém a gente percebe unicamente se leu a Bíblia... a palavras "vinhas da ira" estão na Bíblia... depois o transporte de ossos de um membro familiar que morre é assim como vemos passagem do Velho Testamento, em Gênesis... e por aí vai. Aqui vai uma pitada muito boa sobre essa obra http://www.youtube.com/watch?v=4x-9EU9CNH0
    Acabei de dar com Rubens Edwald Filho repetindo as tais palavras de Tom Joad http://www.youtube.com/watch?v=VBR4OROZXbs
    Super sexta-feira pra Você...
    Paz

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    1. Olá Paz, vc sempre trazendo curiosidades. Essa origem da casa da Lavoura ,mesmo, eu não sabia. Vou gostar de ver o filme. Anotei o endereço.
      Obrigada pela colaboração.

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    2. Obrigada digo eu... comparto curiosidades pq seus textos despertam isso em mim... minha colaboração aqui é como uma rua de mão dupla...vc vem e eu vou... rs...
      Paz

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  2. O nosso trabalhador rural merece o respeito devido. Muito boa a crônica.
    Abração.

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    1. Não recebe o correspondente a seu trabalho, como bem explicou nossa amiga Paz. Bjs

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  3. Boa noite Edite,
    Os trabalhadores rurais merecem ser bem remunerados,
    mas não é isto que ocorre.
    Na maioria das vezes, são explorados e não têm seus direitos trabalhistas respeitados.
    Muito tocante seu texto.
    Bjs.

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  4. Olá Edite!
    Boa noite!
    Os trabalhadores rurais merecem ter reconhecimento e ser muito respeitado pelo trabalho que ele desenvolve. E nada disso acontece.
    Semana passada viu uma reportagem sobre uns trabalhadores rurais que eram espancados se não trabalhassem, eram transportados em carros em estado péssimo e dormia em lugares terríveis sem higiene nenhuma. Isso aconteceu no interior, não me recordo o lugar. Mais acho que foi no Nordeste.
    Você finalizou muito bem seu texto.
    "É a clandestinidade sempre presente em diversos setores trabalhistas."
    Beijos e ótima semana!

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    1. Infelizmente o trabalho do agricultor não tem o valor merecido. E pensar que seu trabalho é primordial para a subsistência de todos. Abcs

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  5. Bom dia, Edi... veja só o que encontrei...
    Obrigado ao homem do campo -- Dom e Ravell http://www.youtube.com/watch?v=iLWvOtFaof0
    Aproveite bem sua feliz sexta-feira!
    Paz

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  6. Olá Paz, obrigada pela dica. Endereço anotado. Bom final de semana prá vc tbm

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