sábado, 25 de julho de 2015

Solidariedade





Certo dia , numa manhã chuvosa  e fria  , eu voltando da Academia resolvi fazer uma parada na igreja Matriz para alguns minutos diante do Santíssimo

Era quinta-feira, dia em que o Santíssimo fica exposto  durante o dia todo. Naquele dia chuvoso, se passasse direto , provavelmente  eu não voltaria . Ficaria em casa curtindo aquele dia chuvoso de forma bem descontraída e aconchegante.
Atravessei então a praça  rapidamente sem prestar muita atenção. Apressada como estava e embaixo da chuva só pensava em chegar logo à Igreja , onde iria durante  alguns minutos permanecer em adoração diante do Santíssimo.

Depois de dar alguns passos, quase já na porta da Igreja , “senti “ que parece que algo se movera enquanto  eu passava . Voltei-me  para trás e então vi um senhor que estava deitado sobre a calçada embaixo do monumento da Santa Ceia.
 Assim que notou meu  interesse por sua pessoa, o andante se levantou como se a querer dizer algo. 

De imediato  eu me  voltei novamente  e entrei logo  na Igreja. Mas meu coração indagava :
 “ Que fazia aquele homem apenas com uma mochila nas costas e um cobertor à mão  àquela hora da manhã fria e chuvosa , como se estivesse sem rumo ?
Meu  coração me dizia que precisava saber o que estava acontecendo. Precisava ouvi-lo, precisava ajudá-lo, pois ele parecia meio perdido.

 Ajoelhada então diante do Santíssimo pedi em oração: "Jesus , mostra-me como! Preciso ajudar aquele homem, mas de que maneira? Fala-me, Senhor Jesus !"
Fiquei ali ajoelhada apenas alguns minutos falando com Deus e saí decidida: iria abordar aquele homem e ver como poderia ajudá-lo. 

Mas ao chegar à praça, fiquei um pouco decepcionada. O homem havia ido embora. Bem, talvez aquele não fosse o momento. O Senhor por certo não desejava minha intervenção. Ou ,minhas preces não tinham sido ouvidas. Não conseguira passar a mensagem a Deus.  Minha  prece havia caído no vazio...

Resolvi que seguiria meu caminho . Mas , quando me volto para  mais uma vez lançar um olhar  pela praça vazia , eis que o vejo  surgir quase já bem próximo . . E vinha  em minha  direção.
Chamei-o  e  juntos fomos  para a entrada da Igreja , onde podíamos ficar protegidos da chuva

Ficamos  ali conversando durante alguns minutos que me permitiram conhecer uma parte da sua história . Seu destino era São Paulo .Iria em busca das filhas que lá moram . Havia sido assaltado na rodoviária de Sertanópolis. Estava apenas com os documentos , os quais me mostrou . O que me fez colocar mais crédito em sua história . Disse-me  até o nome das filhas , onde moravam e chorou quando mencionou as netas gêmeas Tainá e Tainara .

Havia chegado na noite anterior e uma alma boa lhe dera um prato de comida , um cobertor e a camisa que vestia . A cama foi o banco da rodoviária da cidade. Estava na praça desde bem cedinho e já tinha até entrado na igreja e participado da  missa das seis horas de toda quinta-feira.


  Verdade ? Não sei ! Tinha fundamento o que ele dizia, então preferi acreditar.

Mas ele precisava de uma passagem de ônibus que o levaria até Marília , onde iria procurar um abrigo . No abrigo, disse ele, vou estar em segurança e protegido . E eles me encaminharão ao meu destino.


Eu não tinha dinheiro ali comigo naquele momento , mas arranjei uma solução .
 Era preciso ajudá-lo a chegar pelo menos até o abrigo . 
Liguei para minha casa e pedi que minha funcionária viesse me encontrar. A igreja fica apenas a três quadras de minha casa, mas por segurança preferi que a ajuda viesse até mim .
Não achei recomendável conduzir a pessoa até minha casa . Apesar de tudo que conversamos , a credibilidade que botei na sua história  cautela nunca é demais .

Ao receber a ajuda que lhe permitia comprar sua passagem e alguns trocados para um lanche , ele ficou muito agradecido e a passos rápidos se dirigiu para a rodoviária . 









6 comentários:

  1. Gesto lindo o teu , mas precisamos mesmo ter certas cautelas! bjs praianos,chica

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  2. Edite, conhecemos tantas mentiras que não sabemos o que fazer diante dessas situações. Certa vez, um homem ensanguentado nos pediu ajuda, dizendo que fora assaltado e atacado. Minha irmã lhe deu dinheiro para pegar um táxi e ir para casa. Dois dias depois, nós o encontramos em outro ponto da cidade, nas mesmas condições, e descobrimos que o vermelho não era sangue de verdade. Mas ela
    disse que fez o que seu coração mandou e que, se alguém haveria que prestar contas a Deus, seria ele. Você agiu bem e com cautela. Poderia ser verdade o que contou. Nunca sabemos. Bjs.

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  3. Edite, eu acredito no relato do homem e tb o teria ajudado assim como vc o fez. O alicerce do cristianismo é a caridade, a maior forma de amor. Feliz Domingo.
    um abraço
    Paz

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  4. Oi Edite querida, vim lhe desejar uma excelente semana, beijos e fique com Deus!!

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  5. Bom dia Edite,
    Que bom que esse homem achou uma alma caridosa,
    para o ajudar.
    Achei bonito seu gesto e sua cautela também é digna de admiração...
    Beijos!

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  6. Olá, tudo bem? Aqui em São Paulo não ofereço dinheiro.... Há muitos craqueiros por aqui..... Bjs, Fabio www.fabiotv.zip.net

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