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quinta-feira, 5 de março de 2015

Resenha : O menino do pijama listrado



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A princípio o título não me atraiu e refuguei por várias vezes a compra do livro.
Ouvindo comentários de colegas, e tomando conhecimento da sinopse , foi se acendendo em mim un desejo enorme de ler o livro. Acabei comprando-o e não me arrependo . Foi uma boa aquisição.
Uma trama de poucas páginas , mas intensas.  Um jeito de narrar tão simples, mas perturbador , o autor vai conduzindo o leitor à compreensão da maldade mascarada por um "cargo importante ,  cargo pertencente ao pai do garotinho  Bruno , a verdade que se esconde por detrás da cerca , o mistério que se esconde sob a fumaça negra que se ergue todos os dias tornando o ar pesado e fétido.
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Depois de ler o livro aguçou-me a curiosidade em ver também o filme . Eu precisava dar um rosto aos garotinhos Bruno e Shmuel. Garotinhos de uma pureza própria das crianças da idade e acredito que também próprias da época. As primeiras cenas  começam em Berlim, na grande mansão de Bruno , sua irmã e seus pais . Com a transferência do pai para Haja Vista , um local próximo a um campo de concentração, a vida da família toda sofre mudanças. A não ser o pai que acredita estar prestando um grande serviço à nação e se orgulha de seu posto de comandante nazista.

A casa em Haja Vista fica próximo de um campo de concentração . "A fazenda", assim  denominou Bruno logo que tomou conhecimento dela logo que chegou ,olhando pela janela do quarto.
O livro não especifica  que campo de concentração era. Talvez não fosse importante , tendo-se em vista que todos nós já sabemos das atrocidades cometidos nesses campos ,  em qualquer lugar que em que fossem adotados como martírio aos judeus. 
 O filme é bem produzido, com fotografia cenográfica fiel à época dos anos entre 1942 e 1944, período em que o mundo era assolado pela Segunda Guerra Mundial.
Jhon Boyne , o autor do livro, surpreende pela simplicidade e pureza com que trata um tema tão forte como o Holocausto . O filme também é fiel ao conteúdo do livro . Não se vê nada daquelas cenas brutais de judeus maltratados e engaiolados em vagões , nada de ataque de cães nada de tiros ...
 Apenas duas cenas mais brutais de que me lembro , presenciadas por Bruno : a fúria com que o sargento Kotler se atirou contra Pavel, simplesmente porque desastradamente derramou uma taça de vinho ao servir a refeição . Bruno assistiu à quela cena brutal  boquiaberto , esperando que o pai defendesse o serviçal. Mas nada aconteceu para decepção de Bruno que considerava Pavel um bom homem.

 Pavel também pertencia à fazenda e vinha todos os dias prestar serviços domésticos na casa grande .
Um certo dia , na ausência da mãe de Bruno , Pavel cuidou de um ferimento seu após uma queda e lhe confidenciara que era médico .
Como ? indagava Bruno? Pavel só podia estar brincando ou mentindo . Um médico que agor "DESCASCAVA LEGUNES " E SERVIA À MESA PARECENDO ESTAR SEMPRE ASSUSTADO?

Uma outra cena brutal que abalou bruno foi contra Shmuel , seu amigo secreto que encontrava sentado do outro lado da cerca. Um garotinho da mesma idade de Bruno  mas que a vida já machucara bastante . Frágil, pálido , esfomeado ,e sempre assustado e triste ..

A essa altura Bruno já sabia que os judeus eram odiados e que "era preciso que ele também odiasse  Shmuel " caso viessem a saber de sua amizade com ele .  Então , assistiu à agressão a Shmuel sem poder defendê-lo . E, pior , teve que mentir que não o conhecia , senão "estaria metido em encrencas", como costumava dizer .
Foi doloroso para ele ter que agir assim . Era preciso pedir desculpas, se explicar . Porque na sua ingenuidade infantil não havia razão para que odiasse seu amigo. Aliás , fora o encontro com Shmuel que o tirara da solidão em que vivia e tornara seus dias mais felizes . Uma amizade que começou casualmente , num dia em que Bruno burlando a vigilância da casa  encontra aquele garoto de "pijama listrado" sentado sozinho e triste atrás da cerca de arame farpado.
Depois do primeiro encontro , os dois tinham longas conversas através da cerca . Cada qual de seu lado . E assim a amizade se fortaleceu com Bruno sempre supondo  que as pessoas por trás da cerca eram famílias felizes que  se sentavam à porta das casas enquanto as crianças brincavam no quintal.

A curiosidade de Bruno sobre as pessoas do outro lado da cerca , aumenta a cada dia . Porque todos se vestem do mesmo jeito , sempre com um pijama listrado e um boné igual na cabeça raspada ?
 Meninos gostam de aventuras . E Shmuel estava com um um problema : Seu pai saíra com um grupo para um "trabalho" e não voltara mais . Era preciso procurá-lo ! Convida Bruno a ajudá-lo . Bruno adorava "explorar terrenos" . E então tiveram uma "grande ideia". Bruno se vestiria também com um pijama listrado que Shmuel lhe arranjaria e juntos iriam procurar pelo Pai de Shmuel, sem levantar suspeita !

E é então que o inevitável acontece !

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 CONSIDERAÇÕES FINAIS




O Menino de Pijama Listrado revela o contraste entre a inocência de uma criança e a prepotência de um mundo dominado pela guerra. Questões a respeito dos relacionamentos humanos são abordadas no livro, que também mostra o quanto as diferenças podem ser superadas em função da amizade.
 Através dos olhos inocentes de Bruno, o leitor vai tomando ciência dos horrores do holocausto , a maldade humana que despreza e age preconceituosamente contra seu semelhante , exercendo sobre ele um poder dominador extremo.
 O holocausto é um tema instigante, e quanto mais se estuda sobre o assunto , mais se quer estudar  . Talvez pelo seu lado desumano e monstruoso que nos leva a interpelar como pode alguém fazer tais atrocidades com seu semelhante . Mas infelizmente aconteceu e a trama fictícia do “menino do pijama listrado” nos coloca diante dessa desumanidade  vista através dos olhos inocentes de uma criança despida de qualquer preconceito,  deixando  em evidência a ânsia pelo poder e dominação  a qualquer custo.






domingo, 1 de março de 2015

Fazer a diferença : uma história real




Há quem passe a vida em brancas nuvens. Como se não fizesse questão de existir ou como se sua existência se resumisse somente a ele.

 Vivem a vida assim “como tanto faz”, ignorando sua missão maior aqui na terra que seja pelo menos de colaborar por pouco que seja , na construção de um mundo melhor e  propício à vida digna de todos . Vivem somente para si. Contentam-se em simplesmente “fazer a sua parte”. E isto basta. Não se aventuram a ir mais além. Ignoram ou fingem ignorar que pequenas atitudes em cadeia geram grandes ações que podem transformar a realidade atual


Para  “Antônio Macuxi”, 62 anos, um catador de lixo do rio Tietê , um dos rios mais poluídos do planeta a vida tem uma visão mais ampla . A vida tem que explodir , ir além...

Macuxi  é gente do povo. Homem pobre, trabalhador, sofrido. A vida prá ele não tem sido fácil .Órfão desde os 12 anos de idade, Macuxi desde muito cedo luta pela sobrevivência.

Já enfrentou a seca do sertão,  a cheia dos rios amazônicos onde conviveu por vinte anos com uma tribo indígena  “os macuxis “ daí o apelido . Acometido de malária, veio para São Paulo, se arranjar à beira do Tietê de onde tira seu sustento.


 São cinco horas da manhã, céu ainda escuro e Macuxi já esta de pé em sua “carnoa “ “varrendo as águas escuras do Tietê catando seus recicláveis . “Carnoa” é o nome que ele próprio dá à sua embarcação feita de uma carcaça de Kombi na qual ele rema todo dia pelo fétido  rio cor de petróleo

Veio para São Paulo há 19 anos, com a promessa de emprego, uma vida melhor, longe das cheias do Amazonas, longe da malária. Desempregado foi viver às margens do Tietê onde vive com a mulher e dois filhos. Uma vida dura, que começa antes do sol nascer e lhe rende 15 reais por 6 horas de “pescaria”.

Mas Antônio Macuxi é dessas pessoas que amam a vida como ela é. Mora num pequeno barraco com quase nada. Como ele mesmo diz : “No meio do nada é que encontro tudo”

E nessa busca pelo “tudo”, Macuxi tem um sonho que me emocionou. Aliás , já deu início a seu projeto. Macuxi  que não tem nem uma moradia digna , quer construir um “centrinho” de instrução e lazer para as crianças de sua comunidade.


Mas como, Macuxi não nem o suficiente para o próprio sustento ? Eu confesso que também me perguntei isso. Mas, acreditem, com doações, ajuda de amigos  a pequena construção já foi erguida . Algumas cadeiras já foram doadas e agora Macuxi pretende que também tenha uma televisão, vídeo cassete e um professor para ministrar ensinamentos às crianças. Tudo isso , além de fornecer também  pelo menos uma refeição ao dia .

Macuxi é destes que tem um propósito na vida. Não fica fechado em sua vida difícil. E com sua boa vontade e  entusiasmo pela vida e  diante de todas as dificuldades que passou , as oportunidades que não teve, quer oferecer algo de construtivo para as crianças do bairro . “Tirá-las da rua, diz ele. Vivem em contato com os pontos de droga e isso não é bom. Aqui no centrinho vão ocupar-se com atividades que as ajudarão a se orientar melhor na vida”

Macuxi é desses a quem a pobreza  e a vida difícil  não deixaram  marcas negativas e frustrantes . Ao contrário, essas marcas ele as transforma em sorrisos de esperança e vidas transformadas.

Macuxi é gente que faz a diferença no seu  meio pobre , à beira do rio imundo e fétido!

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Quer conhecer um pouco mais da realidade de Antônio Macuxi? Assista ao vídeo 




Em tempo : A reportagem foi feita pela TV Record que já providenciou várias cestas básicas , geladeira e outros itens para a continuação do projeto  "espaço recreativo" que acolherá as crianças.