sábado, 13 de outubro de 2012

EDUCAÇÃO E AUTORIDADE

Educação e autoridade
Este texto de Lya Luft nos leva a refletir sobre a educação das crianças nos dias de hoje, a importância da família e a responsabilidade de pais e professores na sua formação. Sendo outubro o mês dedicado às crianças, achei importante repassá-lo a vocês.

 Educação e autoridade
"Um não na hora certa é necessário, e mais
que isso: é saudável e prepara bem mais
para a realidade da vida"
 
Antes de uma palestra sobre Educação para algumas centenas de professores, um jornalista me indagou qual o tema que eu havia escolhido. Quando eu disse: Educação e Autoridade, ele piscou, parecendo curioso: "Autoridade mesmo, tipo isso aqui pode, aquilo não pode?". Achei graça, entendendo sua perplexidade. Pois o tema autoridade começa a ser um verdadeiro tabu entre nós, fruto menos brilhante do período do "É proibido proibir", que resultou em algumas coisas positivas e em alguns desastres – como a atual crise de autoridade na família e na escola. Coloco nessa ordem, pois, clichê simplório porém realista, tudo começa em casa.
Na década de 60 chegaram ao Brasil algumas teorias nem sempre bem entendidas e bem aplicadas. O "é proibido proibir", junto com uma espécie de vale-tudo. Alguns psicólogos e educadores nos disseram que não devíamos censurar nem limitar nossas crianças: elas ficariam traumatizadas. Tudo passava a ser permitido, achávamos graça das piores más-criações como se fossem sinal de inteligência ou personalidade. "Meu filho tem uma personalidade forte" queria dizer: "É mal-educado, grosseiro, não consigo lidar com ele". Resultado, crianças e adolescentes insuportáveis, pais confusos e professores atônitos: como controlar a má-criação dos que chegam às escolas, se uma censura séria por uma atitude grave pode provocar indignação e até processo de parte dos pais? Quem agora acharia graça seria eu, mas não é de rir.
Gente de bom senso advertiu, muitos ignoraram, mas os pais que não entraram nessa mantiveram famílias em que reina um convívio afetuoso com respeito, civilidade e bom humor. Negar a necessidade de ordem e disciplina promove hostilidade, grosseria e angústia. Os pais, por mais moderninhos que sejam, no fundo sabem que algo vai mal. Quem dá forma ao mundo ainda informe de uma criança e um pré-adolescente são os adultos. Se eles se guiarem por receitas negativas de como educar – possivelmente não educando –, a agressividade e a inquietação dos filhos crescerão mais e mais, na medida em que eles se sentirem desprotegidos e desamados, porque ninguém se importa em lhes dar limites. Falta de limites, acreditem, é sentida e funciona como desinteresse.
Um não é necessário na hora certa, e mais que isso: é saudável e prepara bem mais para a realidade da vida (que não é sempre gentil, mas dá muita bordoada) do que a negligência de uma educação liberal demais, que é deseducação. Quem ama cuida, repito interminavelmente, porque acredito nisso. Cuidar dá trabalho, é responsabilidade, e nem sempre é agradável ou divertido. Pobres pais atormentados, pobres professores insultados, e colegas maltratados. Mas, sobretudo, pobres crianças e jovenzinhos malcriados, que vão demorar bem mais para encontrar seu lugar no grupo, na comunidade, na sociedade maior, e no vasto mundo.
Não acho graça nesse assunto. Meus anos de vida e vivência mostraram que a meninada, que faz na escola ou nas ruas e festas uma baderna que ultrapassa o divertimento natural ao seu desenvolvimento mental e emocional, geralmente vem de casas onde tudo vale. Onde os filhos mandam e os pais se encolhem, ou estão mais preocupados em ser jovenzinhos, fortões, divertidos ou gostosas do que em ser para os filhos de qualquer idade algo mais do que caras legais: aquela figura à qual, na hora do problema mais sério, os filhos podem recorrer porque nela vão encontrar segurança, proteção, ombro, colo, uma boa escuta e uma boa palavra.
Não precisamos muito mais do que isso para vir a ser jovens adultos produtivos, razoavelmente bem inseridos em nosso meio, com capacidade de trabalho, crescimento, convívio saudável e companheirismo e, mais que tudo, isso que vem faltando em famílias, escolas e salas de aula: uma visão esperançosa das coisas. Nesta época da correria, do barulho, da altíssima competitividade, da perplexidade com novos padrões – às vezes confusos depois de se terem quebrado os antigos, que em geral já não serviam –, temos muita agitação, mas precisamos de mais alegria.


4 comentários:

  1. Nunca tive o menor problema em dizer não aos meus filhos. Nunca!!!

    Esse lance do "é proibido proibir" é legal só nas músicas, pois uma criança educada sem limites, é uma criança insuportavelmente desagradável.

    E o diálogo sempre foi e sempre será o melhor caminho, meus filhos sempre tiveram direito à opinião deles, mas o decisão final sempre coube a nós, os pais, os responsáveis.

    E, hoje, tenho o maior orgulhos dos adultos maravilhosos em quem meus filhos tornaram-se!!!!

    ResponderExcluir
  2. É ana, infelizmente o que temos visto hoje em materia de educação de nossos jovens, deixa muito a desejar. Lya Luft foi muito feliz ao escreve resse texto que mostra bem a realidade de nossos jovens desorientados com atitudes inconsequentes.
    Ainda bem que ainda temos pais conscientes com famílias estruturadas que educam os filhos para um convívio saudável em todos os aspectos.
    Uma grande conquista a sua. Parabéns!

    ResponderExcluir
  3. Olá Edite olha eu aí de volta. A grande maioria dos escritores costuma proceder como se fosse DEUS e pudesse com a sua opinião expor a verdade das coisas. Esse tipo de escritor incorre num erro crasso. Veja o caso da Lya Luft. Ela diz que negar a necessidade de ordem e disciplina promove hostilidade, grosseria e angustia. Dessa forma Lya deposita a responsabilidade de educar os filhos aos pais. Infelizmente a coisa não é tão simples assim, porque quem dá as cartas hoje é a educação burguesa... E é muita mais complexa do que formulas simplistas de culpar exclusivamente os pais pelos desatinos dos filhos. Olha gente a coisa é tão séria que a burguesia pra conseguir implantar seu inescrupuloso modo de produção criou vários aparelhos ideológicos, tais como: aparelho ideológico jurídico, aparelho ideológico da igreja, aparelho ideológico da escola, da família, dos meios de comunicação... Tudo para impessoalizar suas atitudes ditatoriais. O mundo tá assim virado porque não damos nome aos bois, somos fracos, não temos vontade efetivas de mudar as coisas, ficamos apenas de blá, blá, blá ,e a banda capitalista continua tocar cada vez mais alto!!! Desculpa o desabafo. Um abraço forte!!!

    ResponderExcluir
  4. Olá roberto, prazer em reencontrá-lo. Espero que não suma novamente.
    Concordo com a maneira q vc interpretou o texto. Realmente nem sempre a culpa pela deseducação dos filhos são os pais. As ofertas da mídia, os prazeres passageiros que o mundo oferece, a sociedade violenta em que vivemos, tudo isso acaba por ter um peso maior na personalidade de nossos jovens. Mas, de qualquer forma, a responsabilidade maior recai sobre os pais. Que estes não possam um dia dizer entre lágrimas: Pq eu não estive mais presente? Porque ignorei certos comportamentos ou amizades de meus filhos? . Fica sempre valendo o diálogo e companheirismo entre pais e filhos. Os pais devem estar conscientes de que estão realmente presentes na vida de seus filhos.
    Obrigada pela visita. Volte sempre.

    ResponderExcluir