sábado, 26 de julho de 2014

Caminhando para o inverno da vida


imagem de arquivo próprio
Sentada no sofá ao lado do leito eu aproveito os primeiros  raios de sol que penetram pela janela  do quarto pela manhã  e aqueço meu corpo ainda meio entorpecido pelo frio da noite.
 A madrugada foi fria, muito fria... O frio característico da estação aliado  ao frio peculiar do quarto de hospital aumenta a sensação de inverno no corpo e no coração.
 Aberto no colo eu trago o livro de Anselm Grün : "A sublime arte de envelhecer".

Logo no início do livro ele compara metaforicamente a velhice com o outono no auge de sua beleza , suas maravilhosas cores outonais e a amenidade do sol.
 O envelhecer "outonal" seria a fase do "contemplar e usufruir " o belo. Nesta fase já não há a necessidade premente de produzir. Os frutos já estão ali. É hora da alegria da colheita. Hora de provar dos frutos e também experimentar coisas novas.

Naturalmente, depois do outono vem o inverno que também tem sua beleza. Estação onde predominam a calma , a tranquilidade do aconchego. Momento de serenidade marcados pelo calor físico e humano.
Mas, não se pode esquecer que tanto o outono como o inverno podem ser marcados também por experiências negativas. Podem advir tempestades que arrancam árvores,  destelham casa e desabam morros, assim como também geadas e até avalanches em territórios mais inóspitos.

Faz parte da arte do envelhecimento ver o outono e o inverno da vida em sua beleza , mas também aceitá-los em sua dureza. Descobrir  mesmo em meio a aflições o amor , a paciência e a aceitação que pode dar um aspecto novo e aquecer qualquer época da vida.

Meu olhar se volta para minha mãe no leito ao lado. Vejo nela o fluir constante do inverno. Um inverno  frio e cinzento marcado por imprevistos que a debilitaram . Marcas de tempestades geladas  que a levaram a um sofrer calado  como a dizer: "Estou aqui ,Senhor!. Faça de mim o que quiseres."
Durante o inverno frio e cinzento de sua vida, muitas nevascas, um gelo  que só é aquecido pelos nossos cuidados e infalivelmente a presença do Senhor!



5 comentários:

  1. Oi Edite,
    Forte e triste postagem, eu presenciei minha mãe 10 dias no hospital até ter uma morte horrível.
    Nem quero pensar,. Doeu
    Bom sábado
    Beijos
    Lua Singular

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  2. Que lindo,Edite! Belas reflexões sobre a vida e suas fases! bjs praianos,chica

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  3. Querida Edite,que belo e comovente texto! Tantas reflexões importantes que colocou e a vida é uma constante mudança de ciclos que temos que aprender a nos adaptar. Estimo as melhoras de sua mãe! bjs,

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  4. Olá Edite,

    Melancólica reflexão nesse ambiente tão frio de quarto de hospital, que traz desconforto ao corpo e à alma, principalmente quando estamos acompanhando ou assistindo um ente querido. Sei bem como é angustiante. Saber envelhecer é mesmo uma arte e embora os outonos e invernos da vida prometam serenidade e paz, também podem trazer furacões, conforme você muito bem salienta.
    Que Deus ampare e abençoe sua mãe e toda a família!

    Beijo.

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  5. As estações trazem beleza e também amargor, na vida. E não gostaríamos de sentir o frio que atinge a alma, em certos momentos. Sofremos mais com a dor de entes queridos que com a nossa. Companhia, cuidado e carinho são alentos que mostram amor e que alegram o espírito. Que Deus abençoe sua mãe e dê a toda a família serenidade para vencer o desafio. Fique bem, Edite. Bjs.

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