segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A criança e o trabalho nas ruas

No post anterior onde falei sobre a pureza e ingenuidade das crianças, nas entrelinhas entende-se que criança precisa brincar e ter uma família que a ampare , respeite e proteja

O ato de brincar promove um desenvolvimento saudável, ajuda na interação social com os companheiros , resolução de conflitos promovendo sociabilidade e desenvolvendo sua criatividade e inteligência.

Brincar é um direito da criança que já traz ao nascer esse espírito lúdico que vai tomando forma e ganhando espaço de acordo com os estímulos que recebe dos familiares e outras atividades na escola, bem como na interação com os demais à sua volta.

Infelizmente não é assim que acontece. A exploração do trabalho infantil se faz a cada dia mais presente em nossa sociedade. Não estou aqui falando da exploração agrícola , em minas de carvão ou qualquer outra modalidade mais agressiva de exploração de trabalho infantil.
Refiro-me à situação de crianças de rua . Pedintes ou vendedores de “balas , chicletes ou qualquer outro doce., o que não deixa também de ser uma exploração

Crianças que deveriam estar na escola , mas que por alguma razão que desconhecemos a fundo, tiraram-lhe o direito ao estudo ou lazer.
Ao nos deparar com tal situação, muitas vezes não sabemos como agir. Comprar ou não comprar? O que diz sua consciência?

Leiam o texto abaixo, uma cena com que me deparo várias vezes pelas ruas da cidade. E que qualquer um de vocês também possa ter vivenciado.
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Como agir diante de um rostinho triste que com vozinha baixa e chorosa te aborda e diz:
- “Moça, compra uma cartela de chicletes. O gás lá em casa acabou e eu preciso de dinheiro”.
A minha consciência me diz que não é certo. Que não devo incentivar aquela criança a usar desse artifício, um meio fácil de ganhar dinheiro nas ruas.
Mas como resistir a tal apelo?
 Pergunto onde está a mãe. Ela responde baixinho apontando com o dedo que a mãe está lá fora da loja onde nos encontramos.

Criança na rua pedindo ou vendendo “doces” é sinal de que alguma coisa não vai bem na família. Pode ser que haja alguém doente ou desempregado e a família necessite desse complemento para completar a renda.
Comprar ou não comprar? Eu até resisto e fico alguns minutos conversando com a pequena.
Mas ela está vendendo, eu penso. Poderia estar pedindo ou roubando!

Eu ainda tento: Não tenho toda esse valor em trocados na carteira. Mostro o que tenho e ela aceita. Parece que a necessidade era grande na família, e tudo que vier é lucro!

Resultado: acabei ficando com a cartela de chicletes e ainda fiquei com remorso por não ter o valor total da compra. Saí da loja e ela continuou por ali abordando mais alguns clientes, o que , acho que deveria ser proibido.
Mas a exploração já começa daí: fica difícil “expulsar” uma criança da loja!

Evidentemente , a mãe ou quem quer que seja que a estivesse “usando” deveria estar de longe monitorando “o trabalho”. Enquanto a criança fica exposta a inúmeras situações de risco o melhor do trabalho seria feito pelo adulto: contar o dinheiro. 
Ou não! O responsável poderia também estar em alguma esquina vendendo algum outro produto, guardanapos por exemplo... A menina seria a "isca" para dobrar o salário. Na realidade não se sabe o que a fundo acontece na família.

Comprar a mercadoria eu sei que não ajuda no real sentido da palavra. É uma solução de emergência e apenas favorece o ciclo vicioso para dar continuidade a essa forma de ganhar dinheiro fácil nas ruas.

Uma situação que merece mais atenção de nossas autoridades. O ECA está aí para garantir à criança e ao adolescente o direito a um desenvolvimento saudável, o direito  à família , ao lazer e ao esporte.
Mas em nosso país , infelizmente encontra-se muita dificuldade em colocar em prática as leis , tornando-as praticamente ineficazes..

14/09/14 19:50:48

9 comentários:

  1. Uma tristeza mesmo ver essas crianças nas ruas e pior, nada é feito.Ou muitas delas se negam a ir para lugares adequados ou se vão, fogem! É complexa a situação! bjs, chica

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    1. A formação deve começar pela família que deve ser investigada e orientada e até assistida pelas entidades assistenciais.

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  2. Oi Edite! Eu vivi uma experiência revoltante sobre esse assunto. Eu estava lanchando numa lanchonete e chegou uma menininha, devia ter uns 5 anos... "tia, me dá um trocado? Meu irmãozinho está doente..." Eu perguntei se ela estava com fome e ela disse que sim. Eu disse, não vou te dar dinheiro, mas vou pagar um lanche. O que você quer? Pode escolher... "Não tia, eu preciso levar dinheiro pra minha mãe, senão ela me bate"! Eu insisti com o lanche e ela saiu correndo, fui na porta ver onde ia e a mãe (se é que pode-se chamar aquilo de mãe) estava sentada na sobra comendo um sanduiche... Me deu uma raiva... e ela estava com várias crianças! Se a gente dá dinheiro isso vira ganha pão de desocupados! Bjks Tetê

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    1. Então Tetê, se a criança ou um adulto pede dinheiro, eu tb evito dar. Procuro tb oferecer algo para comer. Mas se a cr está "vendendo" algo, então a gente pensa: "Mas ela está vendendo" Poderia estar roubando. E com essa justificativa acabamos fortalecendo o círculo vicioso. Não estamos preparados para essas eventualidades. E há mães ou outro adulto que exploram os filhos, expondo-os a perigos e humilhações . As autoridades responsáveis no setor é que têm que resolver o problema. Abcs

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  3. Postagem maravilhosa amei tenha uma semana abençoada.
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br
    Canal de youtube: http://www.youtube.com/NekitaReis

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  4. Sinto a mesma dúvida que assola todos, em situações da natureza. Mas já resolvi, pelos exemplos e pela inutilidade desse tipo de ajuda, que não se deve colaborar. Muitas dessas crianças são alugadas por malandros, para esse fim. E quando estão com as mães, estas se acomodam em algum lugar e só esperam. Há muitas coisas que podemos fazer, como cidadãos, mas tirar as crianças exploradas das ruas não conseguimos. Essa providência exige intervenção das autoridades, que agem como se nada vissem. Bjs.

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  5. Oi Edite! Hoje mesmo falei dessa exploração do trabalho infantil com os meus alunos. Espero que eles tenham consciência e façam bom proveito das informações que tem. Beijo! Renata

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  6. Olá Edite,

    Infelizmente, os canais competentes não atuam como deveriam nessa questão do trabalho infantil, principalmente nas ruas. Lamento pelas crianças que têm sua infância roubada, ou porque precisam ajudar na renda familiar, ou porque sofrem imposições e coações para atuarem nas ruas. Temos recebido orientação no sentido de não dar dinheiro aos pedintes em geral, pois isso apenas os acomodariam nessa situação. Quando vendem balas ou outras coisas, nos sinais de trânsito, sejam crianças ou adultos, já parei de comprar, mas quando vejo crianças em portas de padarias ou supermercados e elas pedem leite, biscoito ou outro tipo de alimento, eu sempre compro. A conscientização deveria ocorrer no seio familiar, mas nem acredito que os órgãos competentes tenham pessoal para agir em todos os lares.

    Beijo.

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  7. Olá, tudo bem? Tenho a leve impressão de que o trabalho infantil não é algo tão presente como acontecia em anos atrás....Pelo menos isso o Bolsa Família ajudou. Bjs, Fabio www.fabiotv.zip.net

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