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Mostrando postagens com marcador milho verde. Mostrar todas as postagens
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domingo, 16 de março de 2014

delícias de milho verde



Para quem tem vínculos com a roça, milho verde em casa é uma constante. Apesar da seca neste ano, que muito castigou as lavouras  prejudicando a colheita do milho , ainda muito se salvou daquelas plantações mais tardias , que tiveram a chuva na época do “embonecamento”.

Pra quem não sabe, “embonecamento “ é quando as espigas estão em processo de formação dos grãos . É preciso muita chuva nesta época, caso contrário tudo se perde. E depois de granados , também a colheita deve ser feita imediatamente, senão sol muito quente pode prejudicar as espigas que serão colhidas ainda “jovens e tenras”

E milho verde é assim: recebeu o “presente” tem que cuidar . Caso contrário os grãos perdem a qualidade.

Então, valha-me Deus... eu não resisto às delícias de milho verde, mas que dá um trabalhão, ah! Isso dá. Diferente dos meus tempos de criança, onde milho verde em casa significava “festa”. Era o dia inteiro a vizinhança toda “trabalhando” naquelas espigas fresquinhas. E dali, saía cada delícia.... .

Bolos que incendiavam a casa com seu cheiro apetitoso.

Mas hoje os tempos são outros. As senhoras “do lar” estão em extinção....

E eu já estou quase surtando de tanto receber esse delicioso “presente de grego “ com pouco tempo para dele cuidar.

Já fiz várias experiências para conservar as espigas ou os grãos por mais tempo em refrigeração, mas sem muito sucesso.

De qualquer maneira que se guarde refrigerado, ele acaba por perder a qualidade de grãos frescos,.

Mas ainda hoje consegui aproveitar uma quantia que tinha em refrigeração já batida no liquidificador. Consegui guardá-la por dois dias . E saiu um delicioso curalzinho:


Veja a receita;


Curau de milho verde



Ingredientes
7 espigas de milho verde
1 xícara de leite de coco
1 xícara de leite
½ xícara de açúcar
Canela em pó
Modo de preparo
Retire os grãos da espiga de milho cortando-os com uma faca ou rale as espigas. Coloque o milho no liquidificador e junte o leite de coco, o leite e o açúcar. Bata bem.

A seguir, passe a mistura pela peneira. Leve ao fogo e, sem parar de mexer, deixe cozinhar até que engrosse ligeiramente. Quando engrossar, deixe cozinhar em fogo baixo por mais meia hora.

Retire, despeje numa forma refratária e salpique com canela em pó.

Sirva quente ou frio.

Obs: Dobrei a receita e acrescentei uma lata de leite moça . Ficou delicioso

sobraram espigas , ainda fiz este delicioso bolo de milho verde

Bolo pamonha

2 copos de milho verde
1 lata de Leite Moça Nestlé
- meia xícara (chá) de leite
- 100 g de manteiga
- 3 ovos
- 1 colher (sopa) de fermento químico em pó
 
 Modo de preparo
Para debulhar o milho verde, corte os grãos rente ao sabugo. Coloque-os no liquidificador e acrescente o Leite Moça Nestlé, o leite, a manteiga e os ovos. Bata bem e acrescente o fermento em pó. Coloque em uma fôrma de aro removível (24cm de diâmetro) untada com manteiga. Leve ao forno médio (180°C), pré aquecido, por cerca de 40 minutos. Retire do forno, espere amornar, desinforme e passe para um prato de servir. 

E haja criatividade para aproveitar as outras espigas com creme de milho, milho cozido , milho refogado etc.... Realmente é " uma festa do milho"....



Leia mais sobre milho verde aqui


domingo, 29 de julho de 2012

Paixão por milho verde?! Depende...




O texto abaixo foi postado coincidentemente nesta mesma época no ano passado, aqui: http://el.balbo.zip.net/arch2011-08-21_2011-08-27.html.
Mas resolvi postá-lo novamente porque o milho verde ainda continua fazendo parte da minha vida. Isso é privilégio de quem tem vínculos com a roça.E colheita de milho verde para o pessoal da roça significa fartura.
São tantas as opções de pratos para o preparo do milho verde que nos perdemos nessa riqueza de variedades.
O milho verde é muito apreciado em todas as regiões do Brasil e pode ser consumido cozido, assado, na forma de curau ou pamonha. Esses são os pratos tradicionais, mas há inúmeras possibilidades de uso na culinária
Mas acontece que receber um saco de milho em horas impróprias, está me deixando maluca. Já há mais de um mês que “todos os sábados”, final de tarde recebo de “presente” um saco de milho verde. Presente de grego, quero dizer. Depois de tudo pronto e organizado e eu com hora marcada na manicure, ser surpreendida com tão “apetitoso” presente, é maldade, não acham?
Pois é, eu continuo com o mesmo problema descrito no texto postado no ano passado: tempo para “lidar” com esse milho todo!.
Afinal, nunca se é totalmente “do lar” e necessito tempo para outras ocupações. Nos tempos de hoje as mulheres precisam de um tempo para si. E sábado, fala sério, é dia de folga na cozinha!
Então é aquela correria prá cuidar daquele milho todo, porque ele perde a qualidade muito rapidamente. Em temperatura ambiente dura no máximo um dia. Conservado em geladeira, também endurece os grãos rapidamente e seu tempo de duração também é curto. Os grãos ficam com o sabor e a textura prejudicados, mesmo embalados em sacos plásticos. Fica com um odor pouco agradável.
A melhor maneira que encontrei para conservá-los por foi retirar os grãos da espiga com uma faca afiada , embalá-los em sacos plásticos ou colocar numa vasilha hermeticamente fechada e deixá-los no freezer enquanto aguarda o consumo. Uma trabalheira só: descascar, limpar toda aquela “cabeleira”, e depois raspar os grãos e embalar...Imagine isso em tardes de sábado...Eu o-dei-o...
Talvez essa não seja a maneira correta para o congelamento, mas só depois fiquei sabendo que antes do congelamento é necessário um pré-cozimento dos grãos durante 2 a 3 minutos. Logo após deve ser feito um resfriamento . Em seguida,coloque os grãos numa bandeja ou vasilha aberta e deixe no freezer até que os grãos endureçam. Só depois embale os grãos em sacos plásticos e leve novamente ao congelador.
Sei não, mas acho que perdi todo meu milho congelado. Só amanhã é que saberei o resultado de minha experiência na cozinha , após fazer o curau que estou planejando.
Bem, mas já fiz tanta coisa gostosa com tanto milho durante essa safra, que já estou no lucro. Hoje mesmo fiz um creme de milho verde com peito de frango para o almoço que ficou assim: UMA DELÌCIA!

E vai aí uma receita do meu delicioso BOLO DE MILHO VERDE

3ovos
2 copos de milho verde ( Use como medida o copo de requeijão ou algum equivalente)
1 copo de leite de vaca ou leite de coco
1 copo e meio de acúcar
2 colheres de margarina
2 colheres de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento royal

Bater tudo no liquidificador, menos o pó royal. Comece pelos ovos, depois os líquidos e os ingredientes mais sólidos. Asse e em forno médio ( 180 – 200 graus) até ficar corado.
Se o milho não estiver muito passado, fica com a consistência de bombocado.
Muito booooommmm!


Milho verde... e as doces lembranças da infância

Durante esta semana fui presenteada inesperadamente com uma das delícias da culinária brasileira: um saco de milho verde. Pode parecer estranho  chamar a isso de “presente”.  O milho é um dos grandes curingas da culinária brasileira. Vai bem com diversos ingredientes e pode ser usado tanto no preparo de doces quanto de salgados. Mas milho verde à vista é sinal de “trabalho”... Muito trabalho...
Em meus tempos de criança, milho verde em casa significava festa, reunião de amigos, parentes, vizinhos.  Era quando as famílias se reuniam e dali saíam delícias como curau, pamonhas das mais variadas, cremes  e o tradicional bolo de milho.
O milho era colhido na roça mesmo, nas chácaras ao redor do povoados e até mesmo no fundo de grandes quintais.. Escolhiam-se as espigas mais tenras e bem granadas.  Voltávamos carregados de espigas de milho e ansiosos para começar a labuta.
As crianças ficavam por ali e ajudavam no que podiam. Umas descascavam o milho, outras eram encarregadas de limpar os cabelinhos. Para as  as pamonhas, a tarefa era mesmo de gente grande. Era preciso fazer um corte especial na espiga, e separar muito bem a palha que faria o saquinho para abrigar o creme da pamonha. Quando muito as crianças ficavam com a tarefa de fazer as tirinhas de palha para amarrar a pamonha que depois seria cozida.
Ainda lembro-me de minha mãe, avental todo respingado, à frente do bacião a ralar o milho. Detalhe para o ralo, que era artesanal. Muitas vezes feito por ela mesma  usando uma lata de óleo vazia  que era aberta e furadinha.  Mas tudo era uma festa. Nem se cogitava das facilidades de hoje em  triturar o milho no liquidificador  ou ralador elétrico como se vê hoje em dia.
O que importava era a reunião, as conversas ao pé do fogão, o trabalho em equipe que fortalecia as amizades e os laços familiares. E ao final de tanto trabalho, era um prazer  ver todas aquelas iguarias expostas sobre a mesa onde todos compartilhavam de um mesmo jeito de viver. Ali havia amor, partilha e solidariedade.
Ainda hoje revejo na memória  minha mãe espalhando os pratos sobre a mesa e derramando o curau quentinho e saboroso sobre ele.Amarelinho que ele só, de dar água na boca!  E ia enumerando... Esse para comadre fulana, outro para dona sicrana, esse para a dindinha... A comadre podia não ter comparecido ao mutirão. Mas nem por isso deixava de provar da iguaria.
Ah! Bons tempos aqueles! Tempos do fogão à lenha e um bolo de milho verde impregnando a casa com seu cheiro apetitoso.  Na boca do fogão se colocava a panela  com o bolo para assar sobre a chama. E o  douradinho e crocante por cima se conseguia  pelo calor das brasas que eram colocadas sobre a tampa que o cobria. Dificilmente alguém se lembrará dessa forma de assar bolo de milho. O cheiro era irresistível...
Bem, mas de volta à realidade. Eu não pude fazer essa “festa do milho”. Aliás, fiquei até um pouco agitada diante daquele saco de milho verde. Uma alegria que ficou prejudicada pela urgência que eu tinha em sair. Era dia da minha hidroterapia e, nem pensar em faltar. Ao mesmo tempo em que queria usufruir todas aquelas delícias que dali viria, também não tinha tempo disponível para aquele preparo.
A solução veio na partilha. Umas espigas para a vizinha de cá, outras para a vizinha de lá. Eu acabei no dia seguinte fazendo com o que me restou um delicioso curauzinho e um apetitoso bolo de milho. Não tive as brasas para assar meu bolo de milho, mas ele ficou divino, além de me reavivar todas essas lembranças da infância.
Os tempos mudaram, a nova tecnologia chegou, nosso jeito de viver é outro. Casas especializadas em iguarias feitas com milho verde estão espalhadas de norte a sul do país.
 Mas os valores, os conceitos que se adquiriram no passado, as doces lembranças de criança simples, pés descalços... Ah! Essas o tempo não pode mudar...